Num primeiro olhar tudo é tão grandiosamente encantador e colorido que não consigo me
concentrar em personagens separados, a não ser na união que demonstram em todos os momentos um com os outros. Os membengokrê, que se acreditam vindos da água e que tem seu mito fundador baseado na coragem de dois irmãos que conseguem domar a natureza e por isso se emplumar de penas de aves, são parte delas, fortes como a mata de 100 km de floresta nativa que nos encobre.
Saímos de Marabá as sete da manhã e logo )
somos avisados que a viagem durará até a noite, são horas de estradas de terra e chão encharcados, 75 pontes cruzadas em meio a Araras, Tucanos, Macacos e toda a exuberância da floresta Amazônica.
(Mekaron- Maria Guimarães)
Enquanto a política é discutida pelos homens sérios e guerreiros, caminhamos ao ar livre pela aldeia e aprendemos algumas palavras, inclusive como nos apresentar-mos. Com isso as conversas fluem muito melhor. Todos sorriem da gente quando falamos erradamente e são insistentes na nossa repetição. Temos que falar Bonito, a oratória é muito valorizada pelos Xikrín.
O casamento ocorre por acordo dos pais, mas só acontece se os noivos assim o quiserem. A noiva
costuma casar logo após a primeira menstruação, esta que conheço, tem onze anos e parece satisfeita apesar dos três dias de jejum que passa, junto ao noivo em uma cama coberta de esteiras, vigiados noite e dia pelos pais. Segundo elas é um rito de purificação do espírito e prova de força. Após esses três dias é banhada pelas outras mulheres da tribo e passa a ser responsável pela coleta e o plantio, as atividades da agricultura, o lar, os filhos que logo virão, a pintura corporal, os ornamentos, essas são as atividades da nova mulher que agora também ganha voz entre as guerreiras Xikrín.
somos avisados que a viagem durará até a noite, são horas de estradas de terra e chão encharcados, 75 pontes cruzadas em meio a Araras, Tucanos, Macacos e toda a exuberância da floresta Amazônica.
(Menire pronta para a festa- Maria Guimarães)
Amanhece cedo por aqui e o banho gelado ajuda a acordarmos ás cinco. O sol ainda não nasceu. Pouco a pouco o pátio vai sendo preenchido por nós. Café da manhã e pequena caminhada pela pista de pouso, finalmente somos convidados a entrar na Aldeia e agora não é a primeira impressão que fica.
Amanhece cedo por aqui e o banho gelado ajuda a acordarmos ás cinco. O sol ainda não nasceu. Pouco a pouco o pátio vai sendo preenchido por nós. Café da manhã e pequena caminhada pela pista de pouso, finalmente somos convidados a entrar na Aldeia e agora não é a primeira impressão que fica.
(Mekaron- Maria Guimarães) O contato se mantém hostil em parte de manhã, muitas pessoas estranhas chegam a todo momento. Há grande movimento na pista de pouso. Conversando com um dos indígenas ficamos sabendo que a 20 anos aquele ritual não é celebrado junto ás autoridades e hoje estão todos lá, reunidos na Memkikré ou “casa dos homens”, espaço circular no centro da aldeia destinado ás assembléias políticas.
(Maria Guimarães)Encontro a noiva sendo arrumada por seu pai, que orgulhoso pede pra que eu faça belas fotos com repetidos “mei” quando lhe mostro o “mekaron” que fiz. O azul e o vermelho pintam a todos. O jenipapo, com seu cheiro inconfundível, logo está nos meus braços e eu pouco a pouco me pinto de “menire”. Assim, tenho permissão do núcleo feminino pra entrar nas casas, falar em português e fazer algumas perguntas. Dessa forma consigo a descrição das próprias “menires” sobre o casamento:
O casamento ocorre por acordo dos pais, mas só acontece se os noivos assim o quiserem. A noiva Recém Casados - Maria Guimarães
Proximo texto: Parte II - A festa do Marimbondo
Maria Guimarães é estudiosa independente das etnias indígenas do Sul do Pará.