22.7.13

Conhecendo o povo Karajás ( Parte IV )

                                                               O banquete servido
Os Karajá alimentam-se basicamente do Rio Araguaia. O pescado é a base alimentar da tribo, complementando-a com a mandioca, farinha, frutas (manga, maracujá,etc). Foi fácil perceber isso quando fomos apresentados ao cardápio do almoço!




Tartarugas, tracajás e peixe, muito peixe. Cada um deles tinha uma forma diferente de preparo: as tartarugas pequenas eram mortas, e postas enfileiradas numa espécie de chapa rudimentar apoiada em tilos e movida a lenha.



 As tartarugas não foram tiradas do Rio, pois há alguns anos um criatório é mantido. Mesmo com a retirada das 50 ou 60 tartarugas servidas a desova e a procriação da espécie é preservada.



O resultado final é um casco torrado e um interior suculento, como as vísceras não foram tiradas, quando o casco é quebrado e arrancado é fácil identificar todos os órgãos, alguns dos animais apresentam ovos, muito apreciados. 




                                O Bororo
 A tartaruga gigante, que pesava uns 30 kg, merecia um tratamento especial, é a base de um prato chamado Bororo. O Bororo é preparado da seguinte forma: depois de morta a tartaruga é aberta e as vísceras são retiradas assim como as partes mais duras do pescoço, das patas e o rabo.





Os miúdos são cozidos e cortados assim como as partes de couro, porém separadamente. Quando as partes cozinham, o casco da tartaruga é usado como panela, porém colocado em fogo muito baixo.




No fim de 8 horas tudo está tão misturado que lembra uma pasta densa. O gosto se assemelha com o sarapatel, prato típico do nordeste brasileiro ou a Maniçoba, comida do Pará.




 Já o peixe era preparado de duas formas distintas: assado em forno, como a tartaruga, ou frito em grande panelas. Sal era seu único tempero.






21.7.13

Conhecendo o povo Karajá (Parte III)


                                                        A Cerimônia do Kararaho
Desde tempos imemoriais, uma vez por ano, o espírito dos guerreiros Kaapó capturados nas investidas do exército Karajá incorpora em alguns homens (crianças, jovens e adultos) onde após a chamada de seus donos são libertos.
O ritual começa no dia anterior onde alguns retiram-se na mata e jejuam e assumem a personalidade de guerreiro perseguido. Quando eles aparecem as crianças se escondem, todos tem medo, e muitos nem sequer saem de suas casas.
Vestidos com uma roupa confeccionada de palha que cobrem o rosto e parte do corpo até os joelhos, nas costas uma grande lança, nas mãos um pedaço de madeira em forma de porrete, na cabeça chifres, e muitos gritos, altos, estridentes, é realmente assustador. Eles saem da mata correndo, gritando e giram riscando com a madeira o chão de terra seca que levanta poeira ao seu  redor.
Enfileirados esperam por seus donos, então uma a uma a mãe anuncia sua sentença: "se for meu pode ir embora!"
Então o espírito volta pra mata onde permanece até o próximo ano.
Entre as crianças o medo é gigantesco, sobretudo entre as meninas, elas acreditam que se descumprirem a ordem e forem curiosas espiar o que acontece na mata ou se reconhecerem através da máscara o homem que veste a indumentária algo muito ruim poderá acontecer como serem ferroadas por arraias, picadas de cobra, afogarem-se no rio, entre outras coisas.
Esse mito me foi contado pelo ancião Lao Karajá.



Conhecendo o povo Karajá (Parte II)


Por volta das seis da manhã estávamos todos de pé, em parte por causa da própria ansiedade de ver o lugar de dia, em parte porque a noite fria pegou-nos de surpresa e a verdade é que encaramos uma temperatura de 15º C. Muitos cobertores, pés gelados, noite comprida.
Mas a manhã ensolarada nos recompôs e após um rápido café da manhã logo estávamos caminhando e conhecendo a aldeia.
A arquitetura é uma mistura de moradia tradicional feita de pau-a-pique, barro e palha, com pequenas edificações de alvenaria, que geralmente abrigavam o que seria a parte molhada da casa, com caixa d´água, banheiro e pia de lavar louça. Há pouco menos de 50 metros o Rio Araguaia pode ser visto.


Deste lado do Rio o Estado do Tocantins ancestral localização dos Karajá, do outro lado Estado do Pará ancestral localização dos Kaapó. O rio antes de dividir os Estados já funcionava como divisão das terras ocupadas por cada uma das tribos e palco das muitas guerras entre as duas. Hábeis arqueiros e pescadores os Karajá tem sua sobrevivência garantida pelo Rio Araguaia, que foi conquistado e defendido por um exército organizado, bem treinado e vencedor, mantendo seu domínio sobre as águas do rio até os dias atuais.




Conhecendo o povo Karajá (Parte I)

O convite veio por acaso, o amigo do amigo do meu esposo, apresentador Angisledson do Programa Expedições Tocantins, convidou-nos a acompanhá-lo durante viajem até a Aldeia Ixã Biowa Karajá próximo ao município de Santa fé do Araguaia.

Foram 24 horas de preparação e ansiedade. Filmadora, barraca, colchão de ar, comida de acampamento, remédios, e um mundo velho de apetrechos julgados por nós como necessários a tal empreitada.
Saímos de Araguaína por volta das 14 horas do dia 18 de julho de 2013.
O sol estava lindo e as ruas da cidade quase desertas, nessa época é comum as famílias passarem dias nas prais do Araguaína. Quando o nosso transporte buzinou na porta já tínhamos praticamente com tudo em mãos então rapidamente estávamos á bordo do cachorro louco, Jipe militar da década de setenta que romperia conosco os 120 km que nos separavam da aldeia.


Parece pouco é bem verdade. Refletindo agora percebemos que de fato os povos indígenas estão muito perto da gente, basta que saibamos olhar. Nossa equipe foi composta por mim, Maria Guimarães pesquisadora de línguas indígenas, Olga nossa pequena exploradora de três anos, o Historiador, marido e pai José Newton, o apresentador Angisledson, e o cinegrafista e mecânico Fábio.

Não demorou muito tempo de estrada para que o Estado do Tocantins nos mostrasse sua rica formação geográfica, com morros altos, e um terreno bastante rochoso. Ao longo da rodovia diversas pequenas cidades como Muricilândia, Aragominas, Santa fé do Araguaia e a pequena vila de novo Horizonte. No fim de uma hora de viagem a parte mais difícil do trajeto: a estrada de terra batida.
Nos perdemos no caminho, tivemos problemas mecânicos, atravessamos pontes rústicas e encaramos muita poeira, já com o cair da noite chegamos na aldeia, nos alojamos no espaço destinado ao posto médico, onde fomos recebidos pelo Dr Odinam. Curiosos porém cansados ainda arriscamos um pequena exploração por entre os quintais e casas, onde encontramos a Bororo, tartaruga que seria servida no dia seguinte.

7.7.13

Calmaria pós tempestade

Ainda tenho na memória recente a cena intrigante dos jovens com suas fogueiras em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiros e milhares de outras cidades pelo interior do Brasil. Nos dias mais tenebrosos um fantasma passou a assombrar até os mais céticos: prelúdios de um golpe.
Foram poucos os que se atentaram ao caráter anti-esquerdista das manifestações, ou a tentativa da imprensa de transformar a luta pelas tarifas e contra a corrupção em impeachment presidencial.
O fato é que ela saiu das cinzas e Dilma reapareceu para propor os cinco pactos que acalmariam a multidão descontente. Foi um belo banho de água fria nos ideais de revolução. Então ficamos com a reforma.
Reforma rejeitada pelos políticos, evidente. Será que eles votariam contra seus próprios interesses? Mas a Constituinte é inconstitucional. E a constituição garante foro privilegiado e tantas outras regalias...
Nos conformamos com as promessas ou com os fantasmas. E mergulhamos num marasmo diferente. Onde todos se defendem. Foi bonito ver o congresso (quase invadido) aprovando projetos no atacado até altas horas da noite. Com certeza trabalharam nos últimos dias mais que em todos os anos anteriores e elaboram como nunca, cada grupo com seus ideais, uma estratégia para tomar o poder dessa força política que emana das ruas uma urgência autoritária de revolta.


21.6.13

Araguaína também acordou: Protestos pelo interior do Brasil

A pequena cidade de Araguaína amanheceu diferente. As ruas sempre tão silenciosas, foram aos pouco tomadas por cerce de 10 mil pessoas. O espirito nacionalista aflorado com as manifestações de São Paulo tomou conta do interior e nossos jovens, mais uma vez abrilhantaram a história.


O Tocantins sabe bem quais são suas mazelas, na foto abaixo a Manifestante faz um Protesto bem humorado: Siqueira (Político tradicional) finge de Papa Bento XVI e RENUNCIA.


O Povo acordou, o povo decidiu: parem a roubalheira ou Paramos o Brasil!
Incrivelmente paramos mesmo, o país inteiro, cada currutela, cada beco hoje tem um cheiro diferente, de pimenta, mas sobretudo de uma liberdade jamais sentida por essa geração.


Então o professor Historiador José Newton levanta o cartaz mais simples, e de maior relevância:                            SIM! Nós Podemos!

Não queremos a morte da Floresta Amazônica. Fora Belo Monte!


Essa é a bandeira que mais duvido: o fim da corrupção. 
Se hay gobierno, yo soy contra!


Sem humor nenhum, manifestante mostra sua indignação contra o Projeto do Dep. Feliciano e seu projeto de Suposta Cura Gay.

A noite começou a cair e a manifestação desceu a ladeira, pela principal avenida de Araguaína.


Não é Vandalismo, é Indignação!
Dá o recado! Enquanto o Governo e a Polícia tentam Criminalizar o Movimento


Por fim a frase que marcou o protesto, e me fez refletir muito: Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil.
Nossa pátria tem que se libertar de muitas mazelas sociais, institucionais, mas sobretudo manter-se num Estado de Direito.



 Não poder permitir jamais que a direita manobre a historia. Muito menos ficarmos inocentes e calados ao lado da esquerda. Sentimentos se exaltando. Posição política acirrada. Bandeira do PT rasgada e grande pergunta: Que rumo vamos tomar?


18.6.13

Protesto em Araguaína



Dia 21/06 ás 18:00 na praça do Galo (Entrocamento)

#vempraruaaraguaína




Vem pra Rua!!!!! Viva Primavera Brasileira!!!!


300 mil brasileiros em mais de 200 cidades manifestam-se contra o Sistema Corrupto do nosso país. É o maior levante desde os "caras-pintadas."

15.6.13

Protesto contra a Copa em Brasília

"O importante era denunciar o gasto no Mané Garrincha.Os mais de R$ 30 bilhões que a Copa vai consumir".

7.6.13

A questão indígena e a Copa do mundo no Brasil

Nos últimos 513 anos os conflitos entre indígenas e Portugueses, inicialmente adiado, afinal de contas Caramuru viveu com Catarina Paraguaçu nas terras brasillis por mais de dez anos antes que a chegada dos portugueses fossem oficialmente declarada.
Que os povos indígenas habitavam Pindorama não há duvidas, a grande questão é como ficaram esses povos após o crescente fluxo de imigrantes rumo ao Brasil. E mais ainda, como tracionais ocupantes de determinadas áreas, porque ainda precisam morrer, como no tempo das bandeiras. Se os fazendeiros querem ser indenizados, a única coisa que realmente falta é interesse por parte do poder público.
Essa semana um indígena morreu num confronto com a polícia. Desde então explode pelo brasil á fora uma série de manifestações.
No país do futebol cada estágio construído ou reformado custou milhões de reais. Enquanto tribos inteiras vivem á merce da sociedade. Literalmente dizimados. Reprimidos. Marginalizados. Condenados á uma realidade onde já não cabe ser índio, nem se quer tem o direito de sonhar-se brasileiro, com seu direito a terra preservado.
Antes do futebol chegar era o milho que enchia longos campos. Em sociedades que se organizavam sem destruir a natureza, com suas lendas, mitos, com a cultura de quase tudo que comemos e falamos no Brasil. A parcela de contribuição dos nossos indígenas é tão gigantesca que deixa vergonhoso a postura do governo de enviar a guarda nacional para combater os índios rebeldes.




4.6.13

Dicas de memorização:vale a pena prestar atenção!

Dicas de memorização


É só clicar e ver...na próxima passa certinho!

Faltam 150 dias para a prova do Enem 2013


Acordar cedo não é de longe a atividade predileta dos seres humanos, particularmente, com o habito de estudar de manhã não sou das mais mal humoradas matinais. Na verdade até gosto de ver o dia transcorrer inteiro, com a impressão de que o vivi por completo.
Quando calculei os dias que ainda restavam antes do Exame Nacional cheguei a conclusão de que não mais espaço para monotonia, apenas a literal cara nos livros. Minha meta é uma nota 800,00. E com isso uma vaga no curso de Medicina da UFT. Grandes sonhos requerem grandes esforços.
Desde os 3 anos e meio frequento a escola. são 23 anos de dedicação quase que exclusiva ao aprendizado, mas, quanto mais perto chego da prova, mas insegura me sinto, como se tudo devaneasse.
Tenho encontrado muitas dicas em canais do youtube ou blogs relacionados, o universo de informações é incomensurável, vale a pena apostar um pouco de dedicação ao motivacional, ao pragmático e ao espiritual.
O link que separei hoje ensina o momento que o cérebro funciona em sua melhor capacidade. E acredite é entre as 4 e ás 8 da manhã.
Eu vou encarar, e você?
Agora encerro minhas meia horas diária destinadas aos blog e volto ao livro de química, hora de revisar os alcenos!
Nam myoho rengue kyo!




2.6.13

Cavalgada: Araguaína uma cidade rural.

Logo na primeira hora da manhã, ao sair pra buscar o sagrado pão matinal, percebi que definitivamente não era um dia comum. As ruas já estamos movimentas e as roupas típicas deixavam claro que eu era a única vestida de batinha hippie pois todos os outros transeuntes apresentavam seus mais bem escolhido modelo Cowboy e Cowgirl: a bota por cima da calça, manga comprida, chapéu. Todos os indícios formados: o dia da cavalgada de Araguaína.
A única ideia que me pareceu sábia foi ir em casa tomar um belo café, essas coisas demoram...e voltar com a câmera pra registar com olhos céticos o desfile dos cavaleiros do século XXI.
Já passavam das 10 quando os primeiros e ditos mais importantes cruzaram a avenida principal da cidade. Belos cavalos levavam a gente do campo, ou ao menos seus representantes. Separados em comitivas apenas do ar homogêneo causado pelo visual a hierarquia podia ser facilmente acompanhada pela raça de cavalo, seus ornamentos e sobretudo pela figura que que guiava o animal.
E se entre os montados a distinção social nos saltava na vista, entre os que caminhavam essa distinção passara a ser gritante. Aquele sol forte nos sofria os sofrimentos alheios, por trás de minha máquina preocupei-me em registar apenas os quadros que se desenhavam no visor.

De longe avistei a cena, um pai que acompanhado do filho chamava a atenção pela repetição dos gestos, o pequeno imitava o progenitor em tudo, até no cumprimento de chapéu que fez para a fotografia.
O poeta e barbeiro Poción, barbeiro nas horas vagas recebeu o título de cidadão araguainense pela sua poesia regionalista. Quem quiser escutar o próprio recitar suas poesias, basta ir até sua barbeairia no centro da cidade.

Então encerramos nosso click boiador usando um excelente exemplo da exploração dos homens sobre os animais. Hoje assisti um gigante desfile da consolidação do latifúndio.

1.6.13

Sobre os planos e as notícias


Já não tenho tanta curiosidade de ver as manchetes dos noticiários televisivos, tão pouco as fotos super violentas dos jornais impressos. Afinal ou o fim do mundo vem num processo muito lento ou caminha na verdade em plena harmonia, por isso que o tão aclamado cataclisma mundial nunca chega de uma vez apenas nos aflige cotidianamente.
Há uns seis meses resolvi simplesmente estudar. Aprender das ciências. Desenvolver-me de um conhecimento que existe apenas nos grandes escritores. Não sem qualquer objetivo os livros passaram a ser meus mais insistentes companheiros de noites longas onde somente a saudade e a certeza do regresso me acompanham na solitária tarefa de entender melhor da humanidade.
Mas do objetivo, pra não perder o foco, é uma vaga no curso de Medicina. Sonho de infância. Vinte e seis anos de vida e a decisão tomada: chegou a minha hora.
Quando ligo a tv me sinto perdendo um tempo precioso, onde mais aprendo a consumir que a viver, comprar que compartilhar, querer e acreditar que o dinheiro é o motor da vida.
Porém a harmonia se encontra num todo equilibrado. Em seres que ainda sonham e se mantem imunes a uniformização global.
Manchetes são meras frases de impacto.

24.3.13

Manifesto #Rede


São graves os problemas relacionados ao desgaste e ao descrédito da política, dos políticos e do sistema de representação, sobretudo porque afastam grande parcela da sociedade das decisões públicas, quando não a leva ao alheamento e total indiferença às decisões políticas. Permanecem hegemônicas as velhas práticas políticas que vêm do colonialismo, do populismo, do racismo, do totalitarismo e outras formas de dominação e corrupção que ainda configuram uma cultura arraigada e difícil de mudar. O processo de construção da nossa república ainda está incompleto.
Mesmo sendo da natureza dos partidos políticos o confronto de posições e projetos e a disputa legítima pelo poder de Estado para realizá-los, o objetivo de permanecer no poder a qualquer custo os esvazia de suas premissas fundantes que são corresponder aos clamores e urgências da população e expressar as demandas da sociedade, de forma democrática, competente, ética e justa.
Nosso sistema político-partidário, a pretexto de gerar condições de governabilidade, enredou-se numa lógica própria fisiológica de formação de base de apoio parlamentar, solapando cada vez mais as possibilidades de emergirem diferentes e verdadeiros projetos de desenvolvimento que se ofereçam como alternativas à escolha dos cidadãs e cidadãos. A maioria dos programas são feitos sob medida para os períodos eleitorais, sem compromisso real de implementação, tangidos pelo carisma de nomes e pelo imediatismo das palavras de ordem escolhidas por esquemas cada vez mais caros e sofisticados de marketing.
Passada a eleição, o poder fecha-se para a sociedade, empurrando-a para o passivo lugar de mera expectadora do processo político. Ao mesmo tempo, começa a preparar a composição de forças para as próximas eleições, com base na distribuição de cargos e vantagens, como se ainda estivéssemos nas capitanias hereditárias. A teórica separação dos poderes dá lugar à exacerbada predominância do Executivo e da União, num regime com ranços imperiais, assentado sobre uma noção de governabilidade que se traduz na repartição dos pequenos, médios e grandes poderes, prerrogativas e orçamentos de Estado, tornando inviáveis políticas públicas com organicidade, planejamento, integração e visão de longo prazo.
Essa prática, que se vende como inexorável, interage com o poder econômico, consolidando a cultura viciosa de tolerância do uso privado dos bens públicos e levando a insuportáveis distorções na aplicação dos recursos financeiros, tecnológicos, naturais e humanos do Brasil. O interesse público fica refém do poder econômico, do calendário político e das conveniências e acordos de bastidores. Chegamos a um ponto perigoso de relativização ética e de aceitação, como naturais, de práticas lesivas à sociedade.

23.3.13

Dilma e seu interesse pelo Xingu


Lembro-me bem do dia em que a então candidata Dilma iria ao Pará discursar sobre suas intenções de governo. Estive bastante contente com o evento e não me demorei muito a tomar uma condução rumando para a Capital.
Durante o percurso Castanhal-Belém de 68 km notei um movimento e sobretudo um colorido anormal por ali. Eram dezenas de ônibus que vindos do interior traziam paraenses do estado inteiro, todos com o objetivo claro de despedir-se de Lula, mas sobretudo de conhecer a candidata á presidência. Eram sem-terras, assentados, ribeirinhos, colonos. Pessoas simples que conheciam o Brasil apresentado pelo Jornal Nacional.
Quanto mais me aproximava da Pedreira mais inteiro o fluxo vermelho tomava conta de Belém, então deparei-me com mais de cem mil pessoas sob o palco alto, a segurança nacional, O Exercito, a Marinha e a Aeronáutica.
Não demorou para que Lula viesse e fosse aclamado, o novo pai dos pobres exalta a multidão frenética, um frissom tomou conta de tudo. São milhares de vozes de gritos que tomam a cidade por pelo menos cinco minutos então Lula faz seu discurso, pede votos para Dilma e se despede.
Dilma não veio a Belém. Seu neto havia nascido e por isso apenas Lula viera. Não por acaso a Hidrelétrica de Belo Monte caminha a todo vapor, debaixo dos panos quentes do governo que numa atitude Ditatorial desrespeita todos os ambientalistas, antropólogos e historiadores, e principalmente os moradores da região além de massacrar todas as populações indígenas do Santuário do Rio Xingu.
Desde o primeiro momento ficaria claro que os olhos estão voltados para o capital. Aos interesses das megalópoles que acreditam que no Pará as jacarés tropeçam nas pessoas. Que ignorância terrível. Dos políticos e dos defensores dessa politica de massacre. Uma  questão onde os perseguidos do passados são os algozes da próxima geração.
Na foto acima protesto de estudante premiada em defesa do Xingu.



22.3.13

Belo monte e a morte do Xingu

Indígenas despejados no Rio de Janeiro


"A Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro enviou, nesta sexta-feira, notificação para que o terreno do antigo Museu do Índio seja desocupado em um prazo de 10 dias", diz a nota. Segundo a Procuradoria, caso o imóvel não seja desocupado neste prazo, o Estado poderá entrar com um pedido de reintegração de posse".
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/01/130116_indios_tukano_cq_mdb.shtml


Um tumulto envolvendo policiais e manifestantes marcou a desocupação, nesta sexta-feira, do prédio do antigo Museu do Índio, habitado desde 2006 por indígenas que organizaram no local a chamada Aldeia Maracanã, na zona norte do Rio.
A polícia usou bombas de efeito moral e spray de pimenta para dispersar os protestos pró-índios. Segundo a assessoria de imprensa da PM, pelo menos dois manifestantes a favor dos índios foram presos e a Radial Oeste, uma via importante nos arredores do museu, chegou a ser temporariamente bloqueada.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/03/130322_aldeia_cq_atualiza.shtml
Mais um duro golpe aos povos indígenas. Para o Estado brasileiro lugar de Índio é na rua e de preferencia sem História. 

19.3.13

Araguaína: cena noturna


Desde o início da noite uma chuva incessante cai sobre Araguaína. Escorre por ruas, em ladeiras e se acumula nas encruzilhadas por onde os carros transeuntes promovem um verdadeiro espetáculo de esguicho d´água. Quando passamos por uma cidade num carro dificilmente percebemos coisas além de luzes em movimento, a atenção se concentra na pista, em suas curvas,  o relevo que corre sob os pneus, os outros veículos...Porém quando passamos um tempo no lugar outras coisas desapercebidas aparecem mais sobre as sombras escuras da cidade. Quando olhamos pra dentro das sacadas úmidas, de lojas fechadas geralmente vemos apenas belas vitrines .reluzentes com manequins magros, bem vestidos e sorridentes. Foi na sacada de uma loja de roupas de grife que vi hoje a imagem que tomou meus pensamentos. Perdida entre várias vitrines vi um senhor que me parecia bastante velho, sentado sobre um degrau. Aparentemente um mendigo, novidade nenhuma nessas beiras de estrada, mas além dos cabelos muito grisalhos outra coisa que chamava a atenção era a falta de trajes do idoso em questão. Minha primeira reação foi imaginar o frio que deveria está sendo sentido por ele, mas depois logo me dei conta que isso era o de menos. Pra quem não aonde ir por que lutar que diferença faz um par de roupas. Ironia do destino. Aqueles manequins agasalhados e aquele humano nu. Despido de qualquer direito. A verdade é que senti vergonha. De vê-lo tão exposto ás mazelas da pobreza. Da nossa sociedade que se consome. Duvido de qualquer anúncio que conte o fim da pobreza no Brasil. Nossa classe de "excluídos" cresce na velocidade da internet 3G. Alguns homens se aproximaram e o carro virou a esquina. Talvez o levassem dali. Que sociedade suportaria viver em tal estágio de deploração?

18.3.13

Conexão Belém-Brasilia: a história da estrada

RODOVIA BELÉM-BRASÍLIA. UMA EPOPEIA COMPOSTA POR DOIS MÉDICOS: JK E WALDIR BOUHID*

                      Sérgio Martins Pandolfo**

  “Posso dizer que médico sou e serei – "Tu es medicus in æternum" – até o final de meus dias”. Juscelino Kubitschek de Oliveira em seu livro “A Marcha do Amanhecer” (1962) 

           A Rodovia Belém-Brasília, que está prestes a completar o cinquentenário de abertura, teve uma trajetória de verdadeira epopeia entre a decisão e a concretização dos sonhos de dois homens notáveis: Juscelino Kubitschek e Waldir Bouhid. A determinação e o arrojo marcaram a personalidade desses dois gigantes como já a seguir se verá.
           No início de 1958, o Presidente Juscelino Kubitschek reuniu, no Palácio dos Leões, em São Luís do Maranhão, os Governadores da Amazônia e do Nordeste bem como os dirigentes de órgãos federais para comunicar-lhes sua decisão de construir a Nova Capital da República, cuja inauguração já havia adrede fixado para o dia 21 de abril de 1960.
           Após a exposição do Presidente Juscelino, a respeito das obras infraestruturais de transporte e comunicação planejadas para proporcionar condições de desenvolvimento à nova capital, Waldir Bouhid, Superintendente da SPVEA, verificando que o Pará estava fora do projeto global, fez ver que, sem uma rodovia interligando a capital paraense ao planejado Distrito Federal, este nada significaria para Belém, naquela época com ligação direta com o Rio de Janeiro, sede do governo federal, apenas por meio de navios e de aviões.
           O engenheiro Regis Bittencourt, Diretor Geral do DNER, consultado no ato por Juscelino sobre a viabilidade técnica da construção de uma rodovia entre Belém e Brasília, abriu o mapa do Brasil e, assinalando o enorme trecho de floresta virgem, disse ser humanamente impossível à engenharia nacional realizar obra daquele vulto, no prazo de dois anos. Tentava-se “pôr a água da razão no vinho puro da sabedoria divina”, a redizer São Boaventura. Sem se dar por vencido, Waldir Bouhid lançou o desafio: “Presidente, não sou engenheiro rodoviário, sou médico sanitarista. Entretanto, se Vossa Excelência conceder-me os meios, a SPVEA construirá essa rodovia para ser inaugurada juntamente com Brasília”. Tomado de surpresa - e maior firmeza - o diamantino JK concluiu: “Pois então, senhores, começaremos amanhã!”. 
           Em 19 de maio de 1958, Juscelino sancionava o decreto nº 3.710, criando a Comissão Executiva da Rodovia Belém-Brasília – RODOBRÁS, vinculada à SPVEA e presidida pelo seu Superintendente.
          Transformada em meta prioritária do governo Kubitschek, a construção da rodovia foi subdividida pela RODOBRÁS em três setores: Goiás, Maranhão e Pará. O trecho de Goiás coube ao engenheiro agrônomo Bernardo Saião, pioneiro do desbravamento do norte goiano, que viera a morrer tragicamente em pleno serviço, a 15 de janeiro de 1959, esmagado pelo tombo de frondosa árvore.
           O trabalho de desbravamento da floresta virgem, numa extensão de 500 km entre São Miguel do Guamá, no Pará e Imperatriz, no Maranhão, foi o mais dramático dessa batalha ciclópica contra as asperezas da Natureza, o tempo limitado, a falta de equipamentos adequados e o excesso de chuvas nas épocas invernosas. Os 6.000 homens lançados nessa magnífica obra de integração nacional operavam, na fase inicial de desmatamento, basicamente com machados, terçados, facões e pequenas ferramentas de uso manual, ademais da determinação e bravura.
           Longe dos momentos de tristeza causados pelo desaparecimento trágico do engenheiro Bernardo Saião, do engenheiro paraense Rui Almeida e de outros trabalhadores anônimos, o ponto marcante daquela obra considerada impossível foi a chegada da Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional, em Brasília, depois de oito dias de viagem. Bastante emocionado, Waldir Bouhid, comandante da caravana, ao ser abraçado por Juscelino, que estava radiante de alegria, disse-lhe apenas: “Presidente, missão cumprida”.
           No dia dois de fevereiro, houve em Brasília um acontecimento de significação excepcional na vida brasileira – uma verdadeira festa cívica de integração nacional. Brasileiros de todos os quadrantes, partindo de Uruguaiana, Porto Alegre, Belém do Pará, Fortaleza, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Cuiabá, Campo Grande – para só citar alguns pontos extremos que até então não se tocavam por laços rodoviários – marcaram de modo eloquente um acontecimento histórico: o final da condição de isolamento em que viviam as nossas populações.
           Outro fato bastante significativo: muitos dos integrantes das caravanas eram elementos que não acreditavam na rodovia de ligação Norte-Sul do País. Engajaram-se na coluna como novos São Tomés: queriam ver para crer. De um deles sabemos que estava convencido de que a viagem da Coluna Norte seria uma farsa bem engendrada e que as viaturas e os passageiros seriam transportados de aviões de um ponto para outro da selva, onde só existiam os campos de pouso, abertos de 100 em 100 km. Para esse desconfiado foi uma agradável decepção aquele sulco gigantesco na floresta que parecia intransponível...!

17.3.13

Yoani Sanches

Quando liguei a tv e li uma mulher magrinha com enorme bata e um cabelo que tinha ao menos um metro tive inicialmente a impressão de que ela vinha de um lugar onde o tempo dos cortes sofisticados e as roupas de marca não haviam chegado. A fragilidade aparente perdia espaço enquanto manifestantes desinformados gritavam horrores e barbaridades a uma jovem blogueira que com o poder de seu mouse chamara atenção do mundo para uma questão do século passado: o embargo a Cuba. 
Yoani Sánches escritora do blog clic aqui tem percorrido o mundo no seu ideal da abertura política cubana. Quem a confronta acredita que ela como cubana se vende ao interesse ianque, mas no mundo em que vivemos, quem não quer dinheiro? Quem não precisa dele? Todos os sistemas economicos terão que sofrer adaptações ao invés de se fixarem em valores já atiquadros e perdidos no tempo. Todo regime deve garantir as livre expressão de seus cidadãos e além do mais não haverá Comunismo de verdade se não se acabar com a divisão da sociedade em classes sociais. Que venham as transformações.