18.8.09

Tucuruí

Por volta das 22 horas o imenso lago da hidrelétrica de Tucuruí surgiu, primeiro silêncioso por trás de Breu branco, mas logo tomou o horizonte atravessado por uma barreira de dezoito kilometros de concreto.
A Vila é avistada de longe com as ruas enfileiradas no pé da usina. No bairro mais seguro de Tucuruí não há muros entre as casas, crianças patinam no asfalto novo e no templo ecumênico a festividade da padroeira continua tranquila.
Na parte de baixo da cidade o movimento é bem mais intenso de motos, carros ônibus, ciclistas, pessoas indo a igreja ou voltando pra casa.
Com a ajuda de moto-taxistas chegamos ao porto e encontramos o barco que partiria ao meio dia do Domingo para Cametá. Segundo o barqueiro ao chegar ao destino encontraríamos outro barco que nos levaria até Belém, ele também nos informou que a viajem duraria até a uma hora da madrugada e que poderíamos pernoitar no barco até o dia amanhecer. o preço da passagem é 25 reis e não há camarotes.
Ainda caminhamos um pouco até que o movimento da cidade começou a cessar. Os carros já não vinham de todas as direções numa aparente desordem explicita do trânsito.
As casas de madeira, o shopping center, as histórias de enchentes repetinam que invadem as casas durante a madrugada e encombrem a parte mais baixa da cidade quando as comportas são abertas, a primeira fábrica de silício metálico da Amazônia, são características desse lugar que teve seu boom econômico na década de 80 e foi eleita por três anos consecutivos como a cidade mais violênta do planeta.
O povo tem cara de índio, são poucos os estrangeiros que se arriscam a descer aquelas ruas de bares abertos e tecnobrega alto exalando pelo quarteirão.
Na manhã de domingo a feira do mercado municipal fervilha de gente comprando e vendendo roupas, produtos eletrônicos, comida, açaí, frango abatido, peixe, remo de pesca, matapi, dvd pirata.
A senhora tapioqueira perfuma o ambiente com a goma dando a liga na panela quente.
Outros mais cansados do tempo jogam-se aos cantos bêbados ou pedem dinheiro cambaleantes no meio do mercado.
Por volta das oito e meia voltamos ao cais e armamos nossa rede na parte de cima da embarcação, logo atrás da cabine do comandante (Incríveis as informação que se conhem na internet) seguindo o conselho de um blogueiro que já havia feito essa viajem.
Nosso comandante informou-nos que o jantar seria servido e já estava incluso na passagem.
O barco é separado em três partes distintas. Toda a altura do calado forma o porão, onde armazena-se a carga e também onde o motor está instalado.
Na parte do meio encontra-se a cozinha, os banheiros e longo vão de mais ou menos quinze metros quadrados que é ocupado completamente por passageiros.
A parte superior é ocupada pela cabine do camandante e seu camarote, um redório de 8metros quadrados e o convés, uma varanda gradeada a céu berto de onde muitas criaças empinam suas pipas.
Descemos para um almoço típico nos restaurantes populares da orla e no encerrar deste um trabalhados faminto nos pediu um trocado. Oferecemos lhe a galinha caipira, a panelada e um pouco de coca-cola. Ele sorriu enquanto eu buscava um prato e talheres limpos pra que ele pudesse se servir com o mínimo de dignidade.
O barco foi enchendo e enchendo. Pessoas cheraão pelo rio em canoas motaorizadas chamadas Rabetas. Iam juntando-se ao ao balé de redes coloridas balançando com o vento.
Ao meio dia em ponto o barco desatracou do trapiche e do convés pudemos ver uma caminhonete descendo apressadas na ladeira do porto, mas não diminuimos a velocidade apesar da gesticulação exagerada do motoristae sucessivas buzinas. Do meio do Rio Tocantins via-se Tucuruí diminuir.