18.7.12

Memórias do Pará

Nasci na pequena Castanhal, no bairro distante do Cariri, e numa rua de terra batida caminhei meus primeiros passos. Tive uma infância feliz, convivia quase que pacificamente com meus irmãos que entre as disputas me protegiam. Aos sábados íamos ao sítio de Jipe sem capota, na poeira ou na chuva, pela estrada que começava na BR 316. Na altura do bairro Milagre descíamos na Avenida Lauro Sodré e seguíamos pela estrada tortuosa de um asfalto esburacado durante uma hora. Era a cidade que acabava com suas invasões. Mas era também fazendas enormes, onde pastava um gado branquinho e na sequencia agrovilas paupérrimas, sem sequer energia elétrica. Ao fim de mais ou menos uma hora de viagem chegávamos a pequena Inhangapi, com sua ponte e sua lenda. Contava-se que debaixo da ponte havia uma enorme sucuri, chamada de cobra grande, e esta habitualmente engolia banhistas desavisados que tomavam banho á noitinha. Eram muitos casos relatados e o fato é que não havia um só Inhangapiense que banhasse naquela parte do rio. Casinhas de madeira acompanhavam a estrada já de terra batida, que numa encruzilhada terminava metade na Igreja principal, e a outra metade seguia em frente, cada vez mais tortuosa, esburacada e cheia de ladeiras enormes. To be continue...

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