24.5.08

Tuíra Kayapó

Homenagem a Tuíra Kayapó

Nós não somosbrasileiros Não. Não conhecemos El Rei
Nós saímos da água
Não cremos em um branco pregado numa cruz
Nós vamos voltar pras estrelas
Mas antes disso lutaremos pela terra sem males
Pela mata que caçamos e criamos nossos kurumins
Os rios que brotam da terra
Inundam a alma que não temos
Nós não somos Brasileiros
Somos parte integrante
Peça da máquina
Chip do sistema
Nós não somos Brasileiros
Nós somos a Amazônia.

20.5.08

Ele virá...

Nasci durante a guerra fria, talvez explique a inquietação e o maniqueísmo tardio. Vivo na Amazônia, fronteira do Brasil com outros países, cheia de litoral, floresta, rio, mar e tudo que Amazônia pode significar. É como viver no país das maravilhas: trânsito e sol quente, e depois de 20 minutos posso descansar no beira-rio singelo, de gente alegre e esforçada.
A vida e as guerras continuaram, como de costume mesmo.
Era ano de Olimpíadas, na China, creio eu. Ou seja, este. Quando por seja qual for a força do destino eu estava de casamento marcado e me arriscava no idioma del Che.
Enquanto folheava as páginas da vovó ou o livro do Korda, ouvia Mercedes ou Violeta Parra, ou ainda quando acordava, pois acordava ao seu lado, sabia que ele estava lá e eu, de fato, ia me casar.
Evidentemente pensei no conflito do Iraque e se não preferia ir pra lá e fazer cobertura fotográfica. Talvez morar na praia e aprender a tercer redes de pesca. Quizás mudar pro exterior, conhecer el compañero Chavés e fumar charutos, em Cuba, será? Poderia ter escolhido a carreira atávica de professora dos indigenas e acordar com raiar do sol e Mori, akati mei, kubenira.
Mas estava escrito no grande livro da sabedoria popular: Ele, virá!
O país vai crescendo, no tempo que um país precisa pra fazer isso. Oito anos de um presidente popular, e não populista. Preocupado com os velhos e as criancinhas e atencioso com os funcionarios públicos e trabalhadores de modo geral. O salário minimo vale mais que 100 doláres, e as universidades, públicas e particulares multiplicam-se graciosamente de costas pra metrópode.
E Ele, veio mesmo.
Com as histórias e o espelho do colonizador. Misturou-se a massa de estrangeiros que caminham nesta Terra Sagrada. Banhada do sangue da Cabanagem e do Massacre dos Sem-terra.