19.6.10

Cem anos de solidão


O livro conta a história de Macondo, uma cidade mítica, e a dos descendentes de seu fundador, José Arcadio Buendía, durante um século. Usando recursos do realismo mágico, estilo que ajudaria a difundir a partir de seu lançamento, em 1967, o livro mescla revoluções e fantasmas, incesto, corrupção e loucura, tudo tratado com naturalidade. A história começa quando as coisas não tinham nome e vai até a chegada do telefone.

Um comboio carregado de cadáveres. Uma população inteira que perde a memória. Mulheres que se trancam por décadas numa casa escura. Homens que arrastam atrás de si um cortejo de borboletas amarelas.

São esses alguns dos elementos que compõem o exuberante universo deste romance, no qual se narra a mítica história da cidade de Macondo e de seus inesquecíveis habitantes.

Lançado em 1967, Cem Anos de Solidão é tido, por consenso, como uma das obras-primas da literatura latino-americana moderna. O livro logo tornou o colombiano Gabriel García Márquez (1928) uma celebridade mundial; quinze anos depois, em 1982, ele receberia o Prêmio Nobel de Literatura.

Descreve-se então as vicissitudes da numerosa descendência da família Buendía ao longo de várias gerações. Todos em luta contra uma realidade truculenta, excessiva, sempre à beira da destruição total.

Todos com as paixões à flor da pele. E o "realismo mágico" de García Márquez não dilui a matéria de que trata no caso, a história brutal e às vezes inacreditável dos países latino-americanos. Pelo contrário: só a torna mais viva.

Minha História


Uma página em branco não conta a história de ninguém, mas a minha história começa exatamente assim, com uma página em branco. Minha mãe contou que quando abriu o exame de gravidez e topou com uma folha em branco por algum motivo aquilo a levou a pensar que sim, estaria grávida. Muitos meses se passaram até que rompi seu ventre calada e o médico ao me receber no mundo deu-me fortes palmadas, mas eu minúscula como era não chorei.
Muitas coisas foram ditas sobre o meu silêncio e minha avó, religiosa como era acreditou que aquilo era um sinal divino e não teve a mínima dúvida na hora de escolher meu nome: Maria de Nazaré, disse num almoço de domingo. E mesmo com a evidente contrariedade de meu pai assim escreveram meu nome no registro de nascimento.
Uma mulher com nome de santa não pode cometer muitos pecados cristãos, pelo menos na teoria, pois essa é uma premissa que nunca julguei tão séria aliás nem entendia direito o que queria dizer premissa e assim me senti livre pra viver minhas aventuras de criança sapeca.
Subi em pé de mangueira, fui miss caipira, joguei futebol na lama, tomei açaí com leite em pó, tive catapora,fui chefe de turma e por fim cresci, ou pelos passei a me considerar gente grande e aprendi a cozinhar pra poder alimentar a tribo e agradar o estomago e o coração.

Essa é 23ª vez que um abril começa pra mim, pra Ogum, pro massacre dos sem-terra, pra Tiradentes, pra todos os indígenas resistentes e firmes na cultura da sabedoria popular, pra humanidade inteira, todos nós bilhões de primatas, de salto alto e na praia, na superfície desse planeta.
Uma página em branco não conta a história de ninguém.