12.10.10

O carpinteiro


Ele bate com o martelo delicadamente
Serra um pequeno pedaço de madeira
E o pressiona na pequena fissura que pretende preencher
Aos seus pés a cidade
Do alto do ultimo andar
Será que ele não vê o que tem ao redor?
Tira o prego
Bate
Serra
De cabeça baixa
Não se percebe artista
Com o lápis na mão
Constrói monumentos
De batida em batida
Toc toc toc
É o seu martelo
É o seu coração

10.10.10

Nossa Senhora de Nazaré


A introdução da devoção à Senhora da Nazaré, no Pará, foi feita pelos padres jesuítas, no século XVII. Embora o culto tenha se iniciado na povoação da Vigia, a tradição mais conhecida relata que, em 1700, Plácido, um caboclo descendente de portugueses, andava pelas imediações do igarapé Murutucu (área correspondente, hoje, aos fundos da Basílica) quando encontrou uma pequena estátua de Nossa Senhora da Nazaré. Essa imagem, réplica de outra que se encontra em Portugal, entalhada em madeira com aproximadamente 28 cm de altura, encontrava-se entre pedras lodosas e bastante deteriorada pelo tempo e pelos elementos.
Plácido levou a imagem consigo para casa, onde tendo-a limpado, improvisou um altar. De acordo com a tradição local, a imagem retornou inexplicavelmente ao lugar do achado por diversas ocasiões até que, interpretando o fato como um sinal divino, o caboclo decidiu erguer às próprias custas uma pequena ermida no local, como sinal de devoção. A divulgação do milagre da imagem santa atraiu a atenção dos habitantes da região, que passaram a acorrer à capela, para render-lhe homenagem. A atenção do então governador da Capitania, Francisco da Silva Coutinho, também foi atraída à época, tendo este determinado a remoção da imagem para a Capela do Palácio da Cidade, em Belém. Não obstante ser mantida sob a guarda do Palácio, a imagem novamente desapareceu, para ressurgir em seu nicho na capela. Desse modo, a devoção adquiriu caráter oficial, erguendo-se atualmente, no lugar da primitiva ermida, uma capela, hoje a suntuosa Basílica de Nossa Senhora de Nazaré.
Em 1773 o bispo do Pará, Dom João Evangelista, colocou a cidade de Belém sob a proteção de Nossa Senhora de Nazaré. No início do ano seguinte (1774), a imagem foi enviada a Portugal, onde foi submetida a uma completa restauração. O seu retorno ocorreu em outubro desse mesmo ano, tendo a imagem sido transportada, do porto até ao santuário, pelos fiéis em romaria, acompanhada pelo Governador, pelo Bispo e pelas demais autoridades, civis e eclesiásticas, escoltadas pela tropa. Este foi considerado o primeiro Círio, que etimologicamente designa uma vela grande de cera. Desde então, o Círio de Nazaré é realizado anualmente, no segundo domingo do mês de Outubro.
Entre os milagres mais expressivos atribuídos à imagem de Belém, encontra-se o que envolveu os passageiros do brigue português São João Batista. Partindo de Belém rumo a Lisboa, no dia 11 de Julho de 1846, a embarcação de dois mastros à vela veio a naufragar decorridos poucos dias da partida, sendo os passageiros salvos por um bote que os conduziu de volta a Belém.
Este brigue seria a mesma embarcação que, anos antes (1774), havia transportado a imagem de Nossa Senhora de Nazaré a Lisboa, para ser restaurada; o bote que salvou os náufragos também seria o mesmo que tinha levado a imagem até ao brigue ancorado no porto de Belém. O bote passou a acompanhar a procissão a partir do ano de 1885.
Apesar de o Círio de Nazaré de Belém (PA) ser o mais conhecido no Brasil, o Círio mais antigo do Brasil data de 8 de setembro 1630 na cidade de Saquarema no Estado do Rio de Janeiro. Após noite tempestuosa a miraculosa imagem de Nossa Senhora de Nazareth foi encontrada por pescadores nos penedos que separa o mar da lagoa onde hoje se encontra a Igreja Matriz. Segundo a lenda, a imagem sempre retornava aos penedos onde foi encontrada, e por este motivo, os religiosos da época acreditando ser um sinal dos céus, resolveram dar início a construção de primeiramente uma capela, que mais tarde deu lugar ao templo atual. O Reconhecimento do Círio de Saquarema como o mais antigo do Brasil se deu com a visita da imagem peregrina de Belém (PA) em 23 de setembro de 2009.

5.10.10

Eleições


Prédios, pessoas e presídios
Carros, cavalos e camelos
Policias pobres
Trabalhadores atrasados
Assalariados
Assassinados pretos
Brancos no poder
Sangue no jornal
Mulher pelada na tv
No meu tempo
Exerço isento
A falta de Democracia

3.10.10

A terra das Mulheres - Maria Guimarães

Chovia há três dias quando Maíra sentiu as primeiras contrações e mandou chamar Ana a enfermeira da aldeia, apesar das gotas geladas que podiam se vistas de dentro do barraco e caiam praticamente na vertical não demorou até que a jovem mulher de vinte e cinco anos chegasse. Todos os partos naquelas condições eram difíceis: uma velha casa de alvenaria sem móveis, apenas redes atadas e coisas penduradas por pregos na parede esverdeada de lodo. O tempo não permitiria a decolagem do monomotor caso houvesse qualquer complicação. Era a primeira gravidez de Maíra que aos 14 anos já concebia o fruto de seu casamento e deitada no chão de terra batida exprimia junto a canções, orações e lágrimas a sensação da maternidade.
As mulheres que fariam o parto normal enquanto cantavam musicas e orações em língua materna não permitiam qualquer aproximação de outras pessoas que não fossem da tribo pois acreditavam que os maus espíritos poderiam acometer a criança de algum dos males que os brancos trouxeram. O papel de Ana era assistir ao ritual e com auxilio de seus instrumentos cirúrgicos cortar o cordão umbilical da criança sem ao menos tocá-la, nos braços da Avó, uma mulher de quarenta anos que conservava a altivez da juventude com seu corpo pintado caprichosamente de jenipapo e o cabelo sempre bem cortado mostrando-lhes as cicatrizes da testa e uma faixa do couro cabeludo bem no meio da cabeça com mais o menos quatro dedos de espessura, não via-se em seu corpo um só pelo que pudesse lembrar o ancestral em comum com os macacos, Jaci tinha certeza que havia saído da água.

Foi no segundo dia do novo ano cristão que Tuíra chorou forte ao ter as orelhas e a boca furadas para que soubesse falar e ouvir com sabedoria. Calou-se chupando o seio da mãe

numa fome farta. Encheu-se do leite da vida e após ser examinada pela enfermeira dormiu vagamente, por horas a fio.