Desde tempos imemoriais, uma vez por ano, o espírito dos guerreiros Kaapó capturados nas investidas do exército Karajá incorpora em alguns homens (crianças, jovens e adultos) onde após a chamada de seus donos são libertos.
O ritual começa no dia anterior onde alguns retiram-se na mata e jejuam e assumem a personalidade de guerreiro perseguido. Quando eles aparecem as crianças se escondem, todos tem medo, e muitos nem sequer saem de suas casas.
Vestidos com uma roupa confeccionada de palha que cobrem o rosto e parte do corpo até os joelhos, nas costas uma grande lança, nas mãos um pedaço de madeira em forma de porrete, na cabeça chifres, e muitos gritos, altos, estridentes, é realmente assustador. Eles saem da mata correndo, gritando e giram riscando com a madeira o chão de terra seca que levanta poeira ao seu redor.
Enfileirados esperam por seus donos, então uma a uma a mãe anuncia sua sentença: "se for meu pode ir embora!"
Então o espírito volta pra mata onde permanece até o próximo ano.
Entre as crianças o medo é gigantesco, sobretudo entre as meninas, elas acreditam que se descumprirem a ordem e forem curiosas espiar o que acontece na mata ou se reconhecerem através da máscara o homem que veste a indumentária algo muito ruim poderá acontecer como serem ferroadas por arraias, picadas de cobra, afogarem-se no rio, entre outras coisas.
Esse mito me foi contado pelo ancião Lao Karajá.
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