24.12.11

O dia do Deus Sol


Acredita-se que na Grécia Antiga o dia no 25 de dezembro o Deus Sol era cultuado e fartos banquetes eram servidos regados a vinhos e pães.
O Estado romano se fortaleceu e o cristianismo aos poucos se tornou a grande religião.
Então adotou-se alguns dos feriados já conhecidos pela população.
O importante neste caso é no dia do Rei Sol comemora-se no dia do Nascimento de Jesus Cristo.
Tudo transformou-se desde então. E após 33 anos a morte dessa figura tão emblemática redefiniu a geografia e a ideologia a respeito de deus e do homem.
São 2011 anos que vemos o mundo por essa ótica.
E tudo continua se transformando.

15.12.11

Novos dias de Chuva branca

A chuva chegou na Amazônia, primeiro em pancadas leves, esporádicas, para acalmar os dias de calor extremo e dilacerante, depois chegava logo após o almoço e durava até ás três. Agora ela amanhece e anoitece lá fora molhando a rua e de alguma forma a nossa alma também está molhada.
Os dias são demorados, melancólicos, as luzes de Natal brilham um brilho repetido lá fora. E com tanta água caindo ninguém se arrisca a sair de casa pra ver se elas estão lá mesmo ou se é apenas na televisão. Preferimos acreditar que sim. Que o mundo brilha em outros lugares onde esta chuva talvez não caía.
Ou Talvez seja uma chuvarada global formada pela união de todos os índios Carajás que na cerimônia da Dança da Chuva também choraram mais de dois milhões de Nãos, não veremos vocês.

10.12.11

Carajás SIm

Onze de Dezembro de 2011.
O dia que mundo inteiro olhou para o Pará.
Queremos Carajás!

6.12.11

Carajás e Pará

Carajás Indígena
Pará Rio Mar
Carajás Extração de Minério
Pará Comércio e Turismo
Carajás Boi-Bumbá
Pará Carimbó
Carajás das Praias de Rio
Pará do Imenso Litoral
Carajás Nascendo
Pará Desenvolvido
Carajás do Saneamento
Pará das Belas Praças
Carajás e Pará
Do mesmo Sangue
Do índio, do branco, do negro, do oriental,do Judeu, do Protestante
Do Círio e das Bençãos de Nossa Senhora de Nazaré.

29.11.11

Sou Paraense e Voto Sim


Para enterder-mos o tamanho do Estado Paraense devemos levar em consideração que para percorrermos dois extremos precisaríamos de pelo menos três dias de viagem. Para quem conhece a infervecência da Velha Belém sabe que a maior parte dos benefícios básicos de Saúde, Educação, Segurança, Seneamento e Moradia estão em andamento ou pelo menos deveriam estar pois é nessa região que o Estado paraense investe mais de 70% dessa receita.
Para as outras regiões sobra 30% de recursos que por serem insuficientes transformam os Hospitais em um verdadeiro martírio por mais de uma vez tive que compra a seringa para que minha filha recebesse as vacinas basicas que uma criança precisa na cidade de Marabá.
Todos os dias são noticiados casos de assassinatos, trafico de drogas, prostituição, e todo tipo de má sorte, deixando a população assustada e isolada, trancada dentro de casa e trabalhando cada vez mais para ter um plano de saude ou pagar consultas em clinicas particulares.
E não pense você que isso é garantia de bom atendimentos há casos em que as pessoas chegam a passar até oito horas na fila de espera depois de pagarem em média R$ 200,00 pela consulta.
É bem verdade que como paraenses não conhecemos direito a realidade da região do Carajás a não ser pelas notícias de enchentes e desabrigados na época da chuva. Ignoramos que Marabá foi eleita e segunda cidade mais violenta do país e que pelo menos quatro reservas indigenas se consentram nessa Região como é o caso dos Povos Xikrín,Parkatejê, Krikatejê, Suruí do Sororó que em sua todalidade não tem acesso a um posto de saude, remédios ou consultas.
Não podemos fechar nossos olhos ou ver-mos crianças indigenas morrendo de doenças simples ou de parto isso sim seria matar a nossa tradição e o nosso Paraensismo.
Dizer Não é condenar esse povo a miséria que estão inseridos e não dar a chance de nossas gerações melhores alimentadas e educadas pois apenas 2% dos jovens paraenses chegam a frequentar uma Universidade Pública.
A criação do Estado do Carajás deve aumentar o Indice de Desenvolvimento Humano da Região pois o Estado do Pará é o segundo Pior estado pra se viver no Brasil de acordo com o IBGE que também afirma que mais da metade da população vivem com menos de meio salario minímo, esses são dados do utimos senso e podem ser vistos na página www.ibge.org.br.
Os argumentos estão na mesa,e após analisá-los meu paraense coração decidiu que se somos todos Paraenses também somos todos Carajás.

28.11.11

Faltam Mil Dias

Faltam mil dias para a Copa do Mundo no Brasil e por mais que essa não seja a primeira vez desse famoso campeonato de futebol por essas bandas com certeza é minha primeira vez no auge de meus 24 anos.
Sou brasileira nascida no interior da periferia nacional, nunca vi as mina de Sampa, nem dancei num baile funk, mas cresci subindo em pé de mangueira, fazendo PECONHA para tirar o açaí e tomando banho de igarapé.
Quantos outros interiores parecem minha recatada agrovila do Apeú, tecendo nas redes de pesca, nas ondas do mar salgado do crispim, a imensidão deste país que nos pariu numa época em que crescer é de fato possível.
Lembro-me bem do dia do anúncio, o então presidente Luis Inácio Lula da Silva, acompanhado do ministro dos esportes Orlando Silva e do Pelé e cada um dos telespectadores Brasil a dentro, saltou como uma criança quando pudemos todos ler a frase Rio de Janeiro dentro do envelope dourado. O país do Futebol dono da Bola numa copa do Mundo.
Foi o primeiro presidente para o qual fiz militância, aos 18 anos engajei-me na luta popular pela eleição do primeiro homem de origem pobre subir ao poder. E ele subiu com classe, não a classe operária como muitos esperamos, mas com austeridade e virtu.
Era um dia escaldante em Marabá e vários fogos de artifício puderam ser ouvidos pela cidade, o calor nos deixava com roupas levíssimas de um verão que parecia não acabar, a presença de rios caudalosos no entorno da cidade, aumentava a sensação de calor e assim vínhamos vivendo na nossa mesopotâmia amazônica.
Depois do anúncio a vida continuou como costumava acontecer de fato e muitas coisas aconteceram desde então numa corrida decrescente ao tão sonhado dia do jogo de abertura da Copa do Mundo de Futebol no Brasil.

3.5.11

Manhã no KM 6

Sentia o deslizar tranqüilo do pneu do carro no asfalto enquanto Almir Sater falava de sua “meiga senhorita”, e com a mão esquerda tentava acertar o momento da transição de cada marcha e sempre que eu errava o tempo aquele homem de barba por fazer o tom sério me encarava com um ar de reprovação que mais parecia uma piada que uma lição de moral propriamente dita.
Vez ou outra o pneu entrava em um dos buracos da estrada e logo um xingamento podia ser escutado pela inevitável revisão que o automóvel deveria ter de passar ao completar determinada quilometragem.
_Eles sempre inventam alguma coisa cara pra gente pagar.
_ O tal do peito de aço já quebrou um monte de vezes.
_ É a rebimbeta da parafusela!!!
Então riamos um riso frouxo, levado pelo vento que corria por nossos rostos suados mediante o calor que fazia na cidade. Olhando pro painel rapidamente pude ver o relógio marcar 8:45.
_ A gente saiu tarde hoje.
_A noite foi cansativa né?
_ Excitante.
Entramos na rotatória do quilometro seis e um ônibus grande estava congestionando o transito, muitos dos passageiros já haviam descido e não pareciam felizes pelo imprevisto, outras tantas pessoas cruzavam apressadas o pequeno terminal rodoviário.
Mulheres vistosas com seus vestidos curtos e maquiagem carregadas de amor pra dar e vender balançavam seus cabelos ao vento das carretas que passavam e deixam uma buzinada como elogio ás belezas da terra.
As portas do comercio já estavam levantadas e além das contas que tínhamos a pagar levávamos com a gente o conhecimento empírico sobre o lugar que vivíamos, seu povo, costumes e vielas, seus terminais e suas prostitutas.
Eram rosas, bancos e portas, eram Palomas, Geremias e Franciscos, meninos, meninas e deficientes, misturados aos sacos de farinhas e as bugigangas do paraguay. Éramos nós, a pista e o sol, num vapor de umidade que subia do rio e nos molhava deixando todos com os corpos brilhosos de suor que refletiam na manhã.

22.1.11

Comemoro, sem fogos.


No ultimo dia do meu estágio obrigatório saiu o resultado de mais um vestibular, observei de longe aqueles estudantes sujos, correndo e gritando, explodindo de alegria por suas aprovações. Uma fase da vida deles acabava de começar enquanto pra mim era mais um passo concluído. Talvez fosse eu que devesse estar soltando fogos e comemorando o fim de um ciclo. E o começo de outro. Com casa, marido, filha, babá, cachorro e todas as vicissitudes de um lar. Responsável por preencher uma mulher, tira-la do país da fantasia de toda princesinha-de-casa quando criança e transformá-la em rainha-mulher da vida adulta.
Outra porta se abrindo, a mesma mão segurando a minha e dizendo: Vamos!

7.1.11

Reflexão do 25º Andar


Nos dias de chuva lembro da minha avó fazendo seus bolinhos e dizendo: Menina, vai calçar uma sandália... cobre esse espelho com a toalha...se não tu vai ficar presa dentro dele, não tá ouvindo o relâmpago?! E eu corria em busca da chinela e só pra traquinar um pouquinho ficava me olhando no espelho da penteadeira, tentando imaginar como seria morar lá dentro daquele vidro fininho.
Os anos se passaram e vi o natal colorir as ruas e descolori-las nas viradas de ano por tantas vezes que já me sinto velha. Cheia desse vai e vem de anos e lembranças. Todos com seus trezentos e sessenta e cinco dias de sol e chuva, frio e calor, companhia e solidão, medo e inspiração.





Reflexão do 25º Andar

No alto da construção um casal de passarinhos
põe dois ovos dentro de um pequeno ninho
Num resto de madeira
Que sobrou da forma da sacada
De certo não entendem como bicho homem está tão alto
E eu humana como sou
Atrapalho a alimentação de seus filhotes
Mas não resisto á curiosidade
E vejo de perto áquela beleza da natureza
Numa Torre de concreto gigantesca
Erguida no meio de uma cidade do interior
Encravada no meio da Floresta
E lá estão nossos passarinhos
Renovando o ciclo de vida
O nosso ciclo também continua
Descobrimos o concreto armado
Quase podemos chegar ao céu como os passarinhos
De um jeito fixo, sem aquela liberdade existencial
Usando elevadores de metal e escadas de aço
Mas estamos nós no desejo de voar
Na ansia de deixar nossa marca no planeta
Como são belos os filhotinhos
Que voarão para longe
Deixando mais inerte nossa civilização
cor de cimento