22.1.11

Comemoro, sem fogos.


No ultimo dia do meu estágio obrigatório saiu o resultado de mais um vestibular, observei de longe aqueles estudantes sujos, correndo e gritando, explodindo de alegria por suas aprovações. Uma fase da vida deles acabava de começar enquanto pra mim era mais um passo concluído. Talvez fosse eu que devesse estar soltando fogos e comemorando o fim de um ciclo. E o começo de outro. Com casa, marido, filha, babá, cachorro e todas as vicissitudes de um lar. Responsável por preencher uma mulher, tira-la do país da fantasia de toda princesinha-de-casa quando criança e transformá-la em rainha-mulher da vida adulta.
Outra porta se abrindo, a mesma mão segurando a minha e dizendo: Vamos!

7.1.11

Reflexão do 25º Andar


Nos dias de chuva lembro da minha avó fazendo seus bolinhos e dizendo: Menina, vai calçar uma sandália... cobre esse espelho com a toalha...se não tu vai ficar presa dentro dele, não tá ouvindo o relâmpago?! E eu corria em busca da chinela e só pra traquinar um pouquinho ficava me olhando no espelho da penteadeira, tentando imaginar como seria morar lá dentro daquele vidro fininho.
Os anos se passaram e vi o natal colorir as ruas e descolori-las nas viradas de ano por tantas vezes que já me sinto velha. Cheia desse vai e vem de anos e lembranças. Todos com seus trezentos e sessenta e cinco dias de sol e chuva, frio e calor, companhia e solidão, medo e inspiração.





Reflexão do 25º Andar

No alto da construção um casal de passarinhos
põe dois ovos dentro de um pequeno ninho
Num resto de madeira
Que sobrou da forma da sacada
De certo não entendem como bicho homem está tão alto
E eu humana como sou
Atrapalho a alimentação de seus filhotes
Mas não resisto á curiosidade
E vejo de perto áquela beleza da natureza
Numa Torre de concreto gigantesca
Erguida no meio de uma cidade do interior
Encravada no meio da Floresta
E lá estão nossos passarinhos
Renovando o ciclo de vida
O nosso ciclo também continua
Descobrimos o concreto armado
Quase podemos chegar ao céu como os passarinhos
De um jeito fixo, sem aquela liberdade existencial
Usando elevadores de metal e escadas de aço
Mas estamos nós no desejo de voar
Na ansia de deixar nossa marca no planeta
Como são belos os filhotinhos
Que voarão para longe
Deixando mais inerte nossa civilização
cor de cimento