Logo na primeira hora da manhã, ao sair pra buscar o sagrado pão matinal, percebi que definitivamente não era um dia comum. As ruas já estamos movimentas e as roupas típicas deixavam claro que eu era a única vestida de batinha hippie pois todos os outros transeuntes apresentavam seus mais bem escolhido modelo Cowboy e Cowgirl: a bota por cima da calça, manga comprida, chapéu. Todos os indícios formados: o dia da cavalgada de Araguaína.
A única ideia que me pareceu sábia foi ir em casa tomar um belo café, essas coisas demoram...e voltar com a câmera pra registar com olhos céticos o desfile dos cavaleiros do século XXI.
Já passavam das 10 quando os primeiros e ditos mais importantes cruzaram a avenida principal da cidade. Belos cavalos levavam a gente do campo, ou ao menos seus representantes. Separados em comitivas apenas do ar homogêneo causado pelo visual a hierarquia podia ser facilmente acompanhada pela raça de cavalo, seus ornamentos e sobretudo pela figura que que guiava o animal.
E se entre os montados a distinção social nos saltava na vista, entre os que caminhavam essa distinção passara a ser gritante. Aquele sol forte nos sofria os sofrimentos alheios, por trás de minha máquina preocupei-me em registar apenas os quadros que se desenhavam no visor.
De longe avistei a cena, um pai que acompanhado do filho chamava a atenção pela repetição dos gestos, o pequeno imitava o progenitor em tudo, até no cumprimento de chapéu que fez para a fotografia.
O poeta e barbeiro Poción, barbeiro nas horas vagas recebeu o título de cidadão araguainense pela sua poesia regionalista. Quem quiser escutar o próprio recitar suas poesias, basta ir até sua barbeairia no centro da cidade.
Então encerramos nosso click boiador usando um excelente exemplo da exploração dos homens sobre os animais. Hoje assisti um gigante desfile da consolidação do latifúndio.
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