
Estamos vivendo um momento de profunda mudança em nossa cultura e estilo de viver porque vivemos hoje um novo tempo. Já não estamos confinados em nossas aldeias condenados ao esquecimento e a ignorância. Hoje não somos mas meros objetos de estudos, mas sujeitos, protagonistas de nossa própria história adquirindo saberes e conhecimentos que valorizam a vida e nossa cultura. Somos índios, somos cidadãos brasileiros, vivendo na cidade ou na aldeia não abandonamos a riqueza da nossa da nossa cultura e julgamos que somos plenamente capazes de distinguir o que é bom e o que danoso á vida e á cultura indígena. Desde já assumimos a responsabilidade de nosso destino e de fazer escolhas que contribuam para o nosso crescimento. Nós nos recusamos a ser meros fantoches nas mãos de organizações científicas e de estudos. Chega de ser mos manipulados por organizações governamentais, portanto manifestamos nosso repúdio á prática do infanticídio e a maneira irresponsável de desumana com que essa questão vem sendo tratada pelos órgãos governamentais. Não aceitamos os argumentos antropológicos baseados no relativismo cultural. O recente caso da menina Isabela alcançou tal repercução na mídia que de imediato nós vivenciamos a dor e angustia da sua família, parecia que Isabela era alguém da nossa própria família, toda a nação brasileira se comoveu e encheu de indignação com tamanha violência, acompanhamos e exigimos justiça a partir de então. Mas nós nos perguntamos: Será que a vida de Isabela tem mais valor do que daquelas crianças indígenas que são cruelmente enterradas vivas, abandonadas na mata, enforcadas por causa de falsos temores e falta de informação dos pais e da comunidade? Não.
Não aceitamos infanticídio como uma prática cultural justificável, não concordamos com a opinião equivocada de antropólogos que tem a pretensão de justificar esses atos e assim decidir pelos povos indígenas, colocando em risco o futuro de toda uma etnia.
O direito á vida é o direito fundamental de qualquer ser humano na face da terra, independentemente de sua etnia ou cultura. Nosso movimento espera que a lei maior do nosso país seja respeitada, isto é, independente de etnia, cor, cultura e raça toda criança goze do direito á vida.
Pedimos que os órgão competentes não mais se omitam a prestar socorro ás mães e crianças em risco de sofrer infanticídio.
Mato Grosso, Junho de 2008
Movimento contra infanticídio indígena
Professor Édson Bacari
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