Faltam mil dias para a Copa do Mundo no Brasil e por mais que essa não seja a primeira vez desse famoso campeonato de futebol por essas bandas com certeza é minha primeira vez no auge de meus 24 anos.
Sou brasileira nascida no interior da periferia nacional, nunca vi as mina de Sampa, nem dancei num baile funk, mas cresci subindo em pé de mangueira, fazendo PECONHA para tirar o açaí e tomando banho de igarapé.
Quantos outros interiores parecem minha recatada agrovila do Apeú, tecendo nas redes de pesca, nas ondas do mar salgado do crispim, a imensidão deste país que nos pariu numa época em que crescer é de fato possível.
Lembro-me bem do dia do anúncio, o então presidente Luis Inácio Lula da Silva, acompanhado do ministro dos esportes Orlando Silva e do Pelé e cada um dos telespectadores Brasil a dentro, saltou como uma criança quando pudemos todos ler a frase Rio de Janeiro dentro do envelope dourado. O país do Futebol dono da Bola numa copa do Mundo.
Foi o primeiro presidente para o qual fiz militância, aos 18 anos engajei-me na luta popular pela eleição do primeiro homem de origem pobre subir ao poder. E ele subiu com classe, não a classe operária como muitos esperamos, mas com austeridade e virtu.
Era um dia escaldante em Marabá e vários fogos de artifício puderam ser ouvidos pela cidade, o calor nos deixava com roupas levíssimas de um verão que parecia não acabar, a presença de rios caudalosos no entorno da cidade, aumentava a sensação de calor e assim vínhamos vivendo na nossa mesopotâmia amazônica.
Depois do anúncio a vida continuou como costumava acontecer de fato e muitas coisas aconteceram desde então numa corrida decrescente ao tão sonhado dia do jogo de abertura da Copa do Mundo de Futebol no Brasil.
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