7.7.13

Calmaria pós tempestade

Ainda tenho na memória recente a cena intrigante dos jovens com suas fogueiras em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiros e milhares de outras cidades pelo interior do Brasil. Nos dias mais tenebrosos um fantasma passou a assombrar até os mais céticos: prelúdios de um golpe.
Foram poucos os que se atentaram ao caráter anti-esquerdista das manifestações, ou a tentativa da imprensa de transformar a luta pelas tarifas e contra a corrupção em impeachment presidencial.
O fato é que ela saiu das cinzas e Dilma reapareceu para propor os cinco pactos que acalmariam a multidão descontente. Foi um belo banho de água fria nos ideais de revolução. Então ficamos com a reforma.
Reforma rejeitada pelos políticos, evidente. Será que eles votariam contra seus próprios interesses? Mas a Constituinte é inconstitucional. E a constituição garante foro privilegiado e tantas outras regalias...
Nos conformamos com as promessas ou com os fantasmas. E mergulhamos num marasmo diferente. Onde todos se defendem. Foi bonito ver o congresso (quase invadido) aprovando projetos no atacado até altas horas da noite. Com certeza trabalharam nos últimos dias mais que em todos os anos anteriores e elaboram como nunca, cada grupo com seus ideais, uma estratégia para tomar o poder dessa força política que emana das ruas uma urgência autoritária de revolta.


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