Nasci durante a guerra fria, talvez explique a inquietação e o maniqueísmo tardio. Vivo na Amazônia, fronteira do Brasil com outros países, cheia de litoral, floresta, rio, mar e tudo que Amazônia pode significar. É como viver no país das maravilhas: trânsito e sol quente, e depois de 20 minutos posso descansar no beira-rio singelo, de gente alegre e esforçada.
A vida e as guerras continuaram, como de costume mesmo.
Era ano de Olimpíadas, na China, creio eu. Ou seja, este. Quando por seja qual for a força do destino eu estava de casamento marcado e me arriscava no idioma del Che.
Enquanto folheava as páginas da vovó ou o livro do Korda, ouvia Mercedes ou Violeta Parra, ou ainda quando acordava, pois acordava ao seu lado, sabia que ele estava lá e eu, de fato, ia me casar.
Evidentemente pensei no conflito do Iraque e se não preferia ir pra lá e fazer cobertura fotográfica. Talvez morar na praia e aprender a tercer redes de pesca. Quizás mudar pro exterior, conhecer el compañero Chavés e fumar charutos, em Cuba, será? Poderia ter escolhido a carreira atávica de professora dos indigenas e acordar com raiar do sol e Mori, akati mei, kubenira.
Mas estava escrito no grande livro da sabedoria popular: Ele, virá!
O país vai crescendo, no tempo que um país precisa pra fazer isso. Oito anos de um presidente popular, e não populista. Preocupado com os velhos e as criancinhas e atencioso com os funcionarios públicos e trabalhadores de modo geral. O salário minimo vale mais que 100 doláres, e as universidades, públicas e particulares multiplicam-se graciosamente de costas pra metrópode.
E Ele, veio mesmo.
Com as histórias e o espelho do colonizador. Misturou-se a massa de estrangeiros que caminham nesta Terra Sagrada. Banhada do sangue da Cabanagem e do Massacre dos Sem-terra.
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