O filme feito sem nenhum insentivo fiscal de saída impresiona. Primeiro pela necessidade que nós paraenses temos de negar a presença de trabalho escravo no estado, depois pela transparencia dos fatos relatados trazendo á tona verdades sobre a morte da Irmã Doroth, a lista negra de líderes sem terras e cenas nunca vistas sobre o massacre da Curva do S.
Só um país que na época de Getúlio Vargas entrega a Hitler a mulher grávida de luiz Carlos Prestes pode deixar solto o fazendeiro que mandou matar uma freira retirada no meio da floresta que ensinava agricultura sustentável aos retirantes nordestinos instalados no PDS. Quando Doroth abrio seu bíblia e começou a ler um trecho escolhido ao acaso sabia de fato que ia morrer e Tato, o autor dos disparos consumou sua empreita de 50 mil reias. O mandante, fazendeiro Bida, continua solto, desfrutanto de suas terras griladas, impondo medo através de coronelismo aos moradores de Anapu.
No dia 17 de abril de 1996 mais de cinquenta trabalhadores sem-terra, na maioria velhos, mulheres e crianças são massacrados na cidade de Eudorado dos Carajás. A polícia obviamente escolhe dezessete lideranças e divulga um número infimo perto do que foi o conflito em que tanto a tropa vinda de Parauapebas quanto a vinda de Marabá cerca os trabalhadores sem a identificação obrigatória. São soldados sem nomes mandados pelo então governador Almir Gabriel a reprender um protesto passífico, uma marcha que pretendia chegar a capital.
O trem de minério da compania Vale do Rio Doce sai de Carajás cheio de minério e volta cheio de Maranhenses que trabalham a troco de comida e vivem em cativeiros nas fazendas de gado ou de soja no sul do Estado.
O filme chega a ser cruel destrinchando tantos conflitos sociais que pertuba demasiadamente o telespectador.
Numa das cenas uma reporter televisiva que estava fazendo entrevistas quando um assentamento é invadido pela polícia grita: Não atira, só tem mulher e criança, não atira! E as metralhoras fazem seu barulho ensurdecedor junto aos gritos das mulheres e crianças...as mazelas do sistema, as desigualdades raciais, o latifundio que sempre vence a guerra...o povo analfabeto e desdentado que se rebela com na revolução Cubana.
Quem diz que nosso povo não é revolucionário passa muito tempo diante da televisão.
Não Passarão!
Não Passarão!
Não Passarão!
Viva Tuíra Kayapó!
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