O livro e a criança aconteceram no mesmo dia.
O primeiro foi encontrado no sábado pela manhã enquanto esperava ansiosa o nascimento da criança e revistava nervosa uma livraria perto da maternidade.
Fernando Morais reúne uma infinidade de documentos e descreve de maneira simples e historiográfica a vida de Olga Benário, judia, comunista, mulher corajosa que vem para o Brasil com a missão de protejer o então capitão Luiz Carlos Prestes que atravessou o país com mais 25 mil homens e mulheres que não aceitavam o regime totalitário a que o país era submetido.
A criança aconteceu mais tarde, ás 21:45hs ouvi seu choro discreto dentro do centro cirurgico e poucos minutos depois a tinha em meus braços. Contei-lhe algumas coisas e desejei-lhe boa sorte na vida.
Depois de dois dias viemos os três pra casa (Eu, o Livro e a Criança) e a cada enorme soneca que a criança tirava durante o dia eu me aprofundava no livro. Descobria um pouco mais sobre a Aliança Nacional Libertadora, sobre pessoas brasileiras ou estrangeiras que aqui estavam numa luta cheia de torturas e traições. Assim vi Oneida de Morais sendo citada, por já ter lido em Banho de cheiro a invasão que sua casa sofreu em Belém com tiros, seus filhos sendo levados presos pela polícia política e a sua fuga solitária para os Estados Unidos da América. Ela nunca voltou pra cidade das mangeiras e morreu sozinha num apartamnto junto ao seu gato José.
Mais então minha criaça acordava e me chamava com sua choro nem mais tão discreto de mulher forte que será. Ás vezes leio trechos do livro em voz alta, para que se acostume com seu nome. Para que saiba o que é ser uma Olga.
Enquanto ela souber do poder que é ser mulher, apenas isto, será forte e grandiosa!
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